Tema: Sacerdócio.
Entendendo o SACERDÓCIO:
Em certo sentido, não deveríamos ficar surpresos de que possamos extrair muitas lições das vestes mencionadas na Bíblia. Por que nos surpreenderíamos? Afinal, roupas fazem parte de nós; elas podem dizer muito a nosso respeito e sobre quem somos, mesmo quando nenhuma voz é ouvida. Estando certos ou errados, frequentemente fazemos julgamentos sobre outros pelo que eles vestem ou como se vestem.
A lição desta semana focaliza a questão do traje, no contexto de Jesus. Vamos explorar a experiência da mulher que teve fé, quando tudo o que tinha para fazer era tocar a roupa do Mestre a fim de ser curada. Há também o episódio de Jesus, tirando uma parte de Seu vestuário para lavar os pés dos discípulos. Em seguida, analisaremos o sumo sacerdote que, diante do Senhor, praticou um ato que selou a condenação do altivo dirigente. Então, veremos Jesus com as vestes de escárnio que Lhe foram impostas pelos soldados romanos. Finalmente, focalizaremos os soldados lançando sorte sobre as vestes de Cristo, em cumprimento de uma antiga profecia. São apenas roupas, é verdade; mas, evidentemente, cheias de simbolismo e significado.
“Quem Me tocou nas vestes?”
Marcos 5:24-34 e Lucas 8:43-48 contam a história da mulher “que, havia doze anos”, lutava com uma hemorragia. Além de ter sido essa uma condição médica perigosa, em si mesma, naquela cultura, a doença carregava o estigma da impureza ritual, o que, sem dúvida aumentava a miséria daquela mulher. Enquanto isso, os médicos nada podiam fazer. Ela vivia tão desesperada, que gastou todo o dinheiro; todavia, somente piorava, o que não é de surpreender, considerando os tipos de tratamento médico existentes naquela época. Mal podemos imaginar quanto sofrimento e culpa ela carregava por causa de sua enfermidade.
Então, apareceu Jesus, Aquele que realizava milagres incríveis.
1. Leia Marcos 5:24-34 e Lucas 8:43-48. Que significado existe no fato de que a mulher acreditou que seria curada apenas tocando as vestes de Jesus?
Aquela mulher tinha muita fé em Jesus; o bastante para crer que, se ela pudesse tocar Suas roupas, seria curada. Na verdade, não foram as vestes em si mesmas que a curaram, nem mesmo o toque. Foi apenas o poder de Deus operando em alguém que, em total desespero, foi ao Senhor com fé, consciente da própria impotência e necessidade. Aquele toque foi a revelação da fé em obras, e cristianismo significa exatamente isso.
2. Por que Jesus teria desejado saber quem havia tocado Suas vestes?
Ao fazer a pergunta e ao tornar públicos o ato e a cura da mulher, Jesus a usou como instrumento de testemunho àqueles que O rodeavam. Certamente, Ele queria que outros soubessem o que havia acontecido e, provavelmente, Ele também quisesse que ela entendesse que não havia nenhum poder mágico em Suas vestes, capaz de produzir a cura. Mas o poder de Deus havia operado nela através de seu ato de fé. Entretanto, por mais embaraçosa que sua condição tivesse sido, ela estava curada e podia testemunhar sobre o que Cristo lhe fizera.
Como podemos aprender ir ao Senhor, como fez aquela mulher, em fé e submissão, conscientes de nosso desamparo? Mais ainda: Como podemos conservar a fé e a confiança nEle, quando a cura que pedimos não acontece como desejamos?
Ele “tirou as vestes”
Nos últimos dias da vida de Cristo, Ele Se encontrou com os discípulos no cenáculo para celebrar a Páscoa, festa nacional israelita, comemorativa de sua libertação da escravidão egípcia. Todavia, nem tudo estava bem. A atmosfera no cenáculo parecia estar densa por causa das tensões e má vontade. Pouco tempo antes, os discípulos estiveram discutindo sobre quem devia ocupar o lugar principal no reino. Agora, estavam juntos para celebrar a Páscoa, que deveria lhes ter falado a respeito da grande necessidade da graça salvadora de Deus na vida deles e de quão dependentes eles eram de Cristo.
3. Leia Mateus 20:20-28. Depois de passar muito tempo com Jesus, que importante lição os discípulos tinham deixado totalmente de captar?
Como se as atitudes dos discípulos não fossem suficientemente más, ainda havia Judas, o traidor, agindo como se nada houvesse de errado. Em meio a tudo isso, quando Jesus tinha todo o direito de estar desgostoso com eles, que atitude o Mestre tomou?
4. Leia João 13:1-16. Qual é a lição ensinada por Jesus aqui? Por que, de muitas maneiras, ela é a chave para compreendermos o que significa ser seguidor de Cristo?
Era costume dos discípulos fazer provisão para lavar os pés, a fim de limpá-los da sujeira das ruas. Esse era trabalho para um servo. Mas os discípulos não tinham servos. E nenhum deles se curvaria para fazer essa humilhante tarefa. Quando Jesus “tirou a vestimenta de cima” e começou a lavar os pés daqueles homens, o coração deles se comoveu. Eles haviam declarado ser Cristo o Filho de Deus. O fato de que o Filho de Deus Se curvasse para fazer o trabalho de um servo os envergonhava. O texto diz que, antes de fazer isso, Cristo “tirou a vestimenta de cima”, mostrando Sua boa vontade para Se humilhar e abaixar a qualquer nível necessário para alcançar Seus seguidores.
Então, como se tudo isso não fosse bastante, sabendo perfeitamente bem o que estava no coração de Judas, Ele também lhe lavou os pés.
Quão “baixo” você está disposto a ir pelo bem de outras pessoas? Qual foi a última vez em que você “tirou as vestimentas” para ministrar às necessidades dos que estão ao seu redor?
“Nem rasgará as suas vestes”
“O sumo sacerdote entre seus irmãos, sobre cuja cabeça foi derramado o óleo da unção, e que for consagrado para vestir as vestes sagradas, não desgrenhará os cabelos, nem rasgará as suas vestes” (Lv 21:10).
5. O que podemos ler na atitude do sumo sacerdote, ao rasgar suas vestes em reação à resposta que Cristo lhe deu? Mt 26:59-68; Mc 15:38; Hb 8:1
O sumo sacerdote rasgou as próprias vestes para simbolizar que Jesus estava para ser condenado à morte. Esse ato também traduzia a indignação de Caifás e significava seu horror diante da suposta blasfêmia que diziam ter Cristo proferido, ao Se declarar Filho de Deus. A lei mosaica proibia ao sumo sacerdote rasgar suas vestes clericais (Lv 10:6; 21:10), porque aquelas vestes simbolizavam a perfeição do caráter de Deus. Rasgá-las era o mesmo que profanar o caráter de Deus, desfigurar Sua perfeição. Assim, a ironia foi que Caifás era culpado de transgredir a própria lei que ele mesmo defendia. Isso o tornava indigno de seu ofício. Pior que isso, a penalidade para esse delito era a morte. Em tudo isso, é irônico que Jesus, que nada tinha feito de errado, estava para ser condenado à morte pela instigação do sacerdote que, por causa de suas ações, merecia morrer.
O simbolismo do gesto de rasgar as vestes era profundo. Era o começo do fim de todo o sistema terrestre de sacerdócio e sacrifício. Em breve, seria inaugurado um sistema novo e melhor, tendo Cristo como novo Sumo Sacerdote ministrando no santuário celestial.
As vestes do sacerdócio terrestre, tão cheias de simbolismo e significado para seu tempo, logo se tornariam símbolos de um sistema destituído de qualquer significado e perto do fim. Quão terrível é que os líderes religiosos estivessem tão cegos pelo ódio, ciúme e temor, que quando Cristo veio – Aquele para quem o sistema religioso de então apontava – muitos daqueles líderes (não todos) não perceberam! Era o povo comum que aceitava Jesus como Messias e assumia o trabalho que aqueles sacerdotes deveriam ter feito.
Em que sentido podemos ser apanhados em nosso senso de justiça própria, de superioridade moral e espiritual, que nos torna cegos para as importantes verdades que o Senhor deseja que aprendamos?
Vestes de zombaria
Logo a seguir, os soldados do governador, levando Jesus para o pretório, reuniram em torno dEle toda a coorte. Despojando-O das vestes, cobriram-nO com um manto escarlate; tecendo uma coroa de espinho, puseram-lha na cabeça e, na mão direita, um caniço; e, ajoelhando-se diante dEle, o escarneciam, dizendo: Salve, rei dos judeus!” (Mt 27:27-29).
6. Qual é a terrível ironia que aparece no texto acima? O que isso nos diz sobre a ignorância, insensatez e crueldade humanas? Será que o mundo hoje ainda trata seu Redentor de forma tão impiedosa? Leia Lc 23:10, 11; Mc 15:17-20
Jesus foi desprovido de Suas vestes e trajado com um manto escarlate ou purpúreo. Esse manto pode ter sido a capa de um soldado ou um dos velhos trajes de Pilatos. Púrpura era a cor da realeza. Em zombaria, aquele manto foi lançado sobre os ombros dAquele que Se dizia rei.
Nenhum rei é completo sem a coroa. Os torturadores de Jesus modelaram para Ele uma de espinhos, tirados de pontiagudos arbustos que cresciam na região da Palestina, e colocaram em Suas mãos um caniço, como imitação de um cetro real. Então, se inclinaram diante dEle em zombaria, aclamando-O rei dos judeus. Mas, enquanto a zombaria do sacerdote consistia de um ataque à autoridade espiritual de Jesus, a dos soldados atacava Sua soberania política. O verdadeiro Rei estava exposto em uma cerimônia de escárnio, vestindo roupas de zombaria. Aquele que ofereceu ao mundo pecaminoso Suas vestes de justiça e perfeição, agora, estava vestido com trajes de zombaria.
O mais incrível é que Jesus suportou tudo isso, pelo menos em parte, por causa de Seu amor por aqueles que O tratavam daquela maneira. Quantos de nós, no momento em que alguém nos ameaça ou maltrata, reagimos com ira e buscamos vingança! Porém, devemos olhar o exemplo que Jesus nos deixou, ao reagir a esse tratamento.
Como você responde, ao ser tratado injustamente? O que você pode extrair do exemplo de Cristo, para agir de modo diferente na próxima vez em que isso acontecer?
“Repartiram entre si as Minhas vestes”
É difícil imaginar a humilhação que Jesus suportou. Depois da cerimônia de zombaria feita pelos soldados, Ele foi levado para a cruz e, ali, foi despido dos últimos vestígios de Suas posses terrestres, as roupas tiradas de Suas costas. Açoitado, rejeitado, humilhado, zombado e, agora, despido e crucificado, Jesus estava, na verdade, bebendo o cálice amargo que, “desde a fundação do mundo” (Ap 13:8), Lhe estava reservado.
7. Leia João 19: 23, 24 (ver também Mt 27:35). Que significado profético a Bíblia apresenta para o que aconteceu ali, e por que isso é importante?
Perceba que ali ocorria o maior episódio em toda a história cósmica, diante dos soldados preocupados com algo tão mesquinho como dividir entre si as roupas de uma vítima!
Todavia, a ação deles não era tão trivial, porque a Bíblia mostra que os soldados estavam cumprindo uma profecia. João liga o episódio diretamente ao Salmo 22:18 (Mateus também o faz), dizendo que tudo aconteceu “para se cumprir a Escritura”, dando assim mais evidência para nossa fé.
Pense no que isso poderia ter significado para Jesus. Com o peso dos pecados de todo o mundo caindo sobre Ele, a separação do Pai O esmagando, Jesus viu os soldados dividindo Suas roupas e lançando sortes sobre a túnica, em cumprimento da profecia. Isso facilmente Lhe poderia ter dado coragem extra para suportar o que estava enfrentando na cruz. As ações dos soldados eram mais evidências de que, independentemente de quão terrível fosse a provação, quão terrível o sofrimento, a profecia estava sendo cumprida, Seu ministério terrestre estava se aproximando do grande clímax, e a provisão para salvação de todo o ser humano que a pedisse pela fé devia ser feita. Assim, Jesus devia suportar tudo, e Ele o fez.
Que profecias bíblicas você acha que ajudam mais a confirmar sua fé, especialmente em tempos de necessidade, quando ela é provada pelo sofrimento?
ARÃO CONFIRMADO
Números, 17.
A rebelião, promovida por Coré, havia despertado grande desconfiança entre o povo sobre a autenticidade e a exclusividade do sacerdócio de Arão. Mesmo com a morte de Coré, dos principais envolvidos e outros subversivos, somando ao todo cerca de quinze mil pessoas, havia ainda dúvidas.
O SENHOR portanto determinou que a sua escolha de Arão fosse provada visível e definitivamente, mediante um sinal sobrenatural.
Um príncipe de cada tribo dos israelitas deveria trazer até Moisés uma vara correspondente à sua tribo, inscrita com o seu nome. Arão, príncipe da tribo de Levi, inscreveria seu nome em sua vara. Moisés levaria as varas até dentro da tenda congregação, defronte ao Testemunho (a Arca do Concerto). O SENHOR faria florescer a vara daquele que Ele escolhesse para o cargo.
Essas varas eram de madeira dura, seca, próprias para caminhadas e para conduzir os animais pelo deserto. Não lhes restavam quaisquer sinais de vida, nem o mínimo broto.
Sendo obedecido ao mandado do SENHOR, ao entrar no tabernáculo no dia seguinte Moisés deparou com um fato inédito: a vara de Arão não somente havia brotado, mas produzido flores e amêndoas, tudo dentro de poucas horas! Era uma ressurreição e frutificação que unicamente poderia ser produzida pelo Criador.
Foi uma perfeita ilustração da ressurreição do Senhor Jesus Cristo. Como no caso de Arão, Seu sacerdócio se baseia no fato da sua ressurreição. No sétimo capítulo de Hebreus é declarado, com toda a franqueza, que se Ele estivesse na terra, sem morrer e ressuscitar, Ele nem sacerdote seria, pois não era descendente de Arão.
Essa ressurreição O habilitou a ser sacerdote. Como aquelas varas, todos os líderes religiosos até hoje acabaram morrendo, inclusive o Senhor Jesus, mas somente Ele ressuscitou dos mortos, dando início à sua igreja, que floresceu e frutificou. Ninguém pode assumir a honra do sacerdócio para si mesmo, a não ser quem é chamado por Deus, como foi Arão (Hebreus 5:4).
Assim como a prova de que Arão fora chamado estava na "ressurreição" da sua vara, o Senhor Jesus ressurgiu da morte para se tornar nosso Sumo Sacerdote. O Seu sacerdócio é muito superior (Hebreus 7), pois:
1. é segundo a ordem de Melquisedeque (Salmo 110:4), portanto superior à ordem levítica, pois Abraão, bisavô de Levi pagou dízimos a Melquisedeque e foi abençoado por ele: o superior abençoa o inferior.
2. é constituído, não segundo uma ordem carnal (a lei que foi dada através de Moisés) revogada por causa da sua fraqueza e inutilidade, mas conforme a nova aliança da regeneração eterna, pela qual nos chegamos a Deus.
3. é fiador desta nova aliança, superior à anterior, podendo salvar totalmente os que por ele se chegam a Deus, vivendo sempre para interceder por eles.
4. é sacerdote perpétuo, imutável, já que vive para sempre, enquanto que Arão morreu, passando o sacerdócio para seu sucessor, e assim sucessivamente.
5. é santo, inculpável, sem mácula, separado dos pecadores, e feito mais alto do que os céus, não necessitando oferecer todos os dias sacrifícios por seus próprios pecados.
6. ofereceu-se a si mesmo uma vez por todas, não precisando oferecer sacrifícios pelo povo diariamente, como o anterior.
7. constituído por juramento pelo SENHOR (Salmo 110:4) e não pela lei, que constitui sumos sacerdotes a homens sujeitos à fraqueza.
O pouco tempo decorrido foi prova adicional da natureza milagrosa do florescimento. Moisés trouxe as varas todas de dentro do tabernáculo para serem vistas pelo povo, e eles viram e tomaram cada um a sua vara.
O SENHOR ordenou que a vara de Arão fosse colocada dentro da arca (com as tábuas da lei (Deuteronômio 10:5) e o pote de maná (Êxodo 16:33), para sinal aos rebeldes. Quem voltasse a murmurar, morreria.
Contudo, o povo ainda estava se condoendo, temendo morrer se por acaso se aproximassem do tabernáculo do SENHOR.
Pr. Ubiratã Pinto
CONHECENDO O SACERDÓCIO:
Nos tempos patriarcais, o cabeça da família servia como sacerdote para ela, passando este dever para o filho primogénito no caso da morte do pai. Assim, nos tempos bem primitivos, verificamos que Noé representava sua família na qualidade de sacerdote. (Gên 8:20, 21) O cabeça de família Abraão tinha uma casa numerosa com que viajava de lugar em lugar, construindo altares e oferecendo sacrifícios a Jeová nos diversos acampamentos. (Gên 14:14; 12:7, 8; 13:4) Deus disse a respeito de Abraão: “Fui familiarizar-me com ele, para que ordenasse aos seus filhos e aos da sua casa depois dele que guardassem o caminho de Jeová para fazer a justiça e o juízo.” (Gên 18:19) Isaque e Jacó seguiram o mesmo padrão (Gên 26:25; 31:54; 35:1-7, 14), e Jó, que não era israelita, mas provavelmente era parente distante de Abraão, oferecia regularmente sacrifícios a Jeová a favor dos seus filhos, dizendo: “Meus filhos talvez tenham pecado e amaldiçoado a Deus no seu coração.” (Jó 1:4, 5; veja também 42:8.) Todavia, a Bíblia não chama estes homens especificamente de ko·hén ou de hi·e·reús. Por outro lado, Jetro, cabeça de família e sogro de Moisés, é chamado de “sacerdote [ko·hén] de Midiã”. — Êx 2:16; 3:1; 18:1.
Sob o Pacto da Lei. Quando os israelitas estavam em escravidão no Egito, Jeová santificou para si todos os primogênitos do sexo masculino de Israel na ocasião em que destruiu os primogénitos do Egito na décima praga. (Êx 12:29; Núm 3:13) Concordemente, estes primogênitos pertenciam a Jeová, para serem usados exclusivamente num serviço especial dele. Deus poderia ter designado todos os varões primogênitos de Israel como sacerdotes e guardiães do santuário. Em vez disso, era do seu propósito tomar todos os varões da tribo de Levi para este serviço. Por isso, ele permitiu que os varões levitas substituíssem os primogênitos das outras 12 tribos (contando-se os descendentes dos filhos de José, a saber, Efraim e Manassés, como duas tribos). Um censo feito ali mostrou que havia 273 primogênitos não-levitas, de um mês de idade para cima, a mais do que varões levitas, de modo que Deus exigiu um resgate de cinco siclos (US$11) para cada um dos 273, sendo o dinheiro entregue a Arão e seus filhos. (Núm 3:11-16, 40-51) Antes desta transação, Jeová já separara os varões da família de Arão, da tribo de Levi, para constituir o sacerdócio de Israel. — Núm 1:1; 3:6-10.
Inauguração do sacerdócio. A designação de sacerdote tem de ser feita por Deus; nenhum homem assume o cargo por conta própria. (He 5:4) Concordemente, o próprio Jeová designou Arão e sua casa para o sacerdócio “por tempo indefinido”, separando-os da família dos coatitas, uma das três principais divisões da tribo de Levi. (Êx 6:16; 28:43) Primeiro, porém, Moisés, o levita, como mediador do pacto da Lei, representou a Deus na santificação de Arão e seus filhos, e encheu-lhes as mãos de poder para servirem quais sacerdotes, procedimento descrito em Êxodo, capítulo 29, e em Levítico, capítulo 8. Sua investidura parece ter levado sete dias, de 1.° a 7 de nisã de 1512 AEC. O sacerdócio recém-investido iniciou seus serviços para com Israel no dia seguinte, 8 de nisã.
Habilitações. Jeová Deus especificou as habilitações necessárias para os da linhagem de Arão que serviriam junto ao altar Dele. O homem, para ser sacerdote, tinha de ser fisicamente saudável e ter aparência normal. Do contrário, não podia chegar-se ao altar com oferendas e não podia chegar perto da cortina entre os compartimentos do Santo e do Santíssimo do tabernáculo. No entanto, tal homem tinha o direito de receber sustento dos dízimos e podia comer das “coisas sagradas” fornecidas como alimento para o sacerdócio. — Le 21:16-23.
Sustento. Não se deram à tribo de Levi terras como herança, mas ela foi ‘espalhada em Israel’, recebendo 48 cidades para morar com suas famílias e seu gado. Treze destas cidades foram dadas aos sacerdotes. (Gên 49:5, 7; Jos 21:1-11) Uma das cidades de refúgio, Hébron, era cidade sacerdotal. (Jos 21:13) Os levitas não receberam uma região como herança tribal, porque, conforme Jeová dissera: “Eu sou teu quinhão e tua herança no meio dos filhos de Israel.” (Núm 18:20) Os levitas executavam as tarefas designadas do seu ministério, e conservavam suas casas e os pastios das cidades que lhes foram concedidas. Cuidavam também de outros terrenos que os israelitas talvez devotassem ao uso do santuário. (Le 27:21, 28) Jeová fazia provisões para os levitas por providenciar que recebessem o dízimo de todos os produtos agrícolas das outras 12 tribos. (Núm 18:21-24) Deste dízimo, ou décimo, os levitas, por sua vez, deviam dar um décimo do melhor como dízimo para o sacerdócio. (Núm 18:25-29; Ne 10:38, 39) O sacerdócio recebia assim 1 por cento do produto nacional, habilitando-o a devotar todo o seu tempo ao seu designado serviço de Deus.
Esta provisão para o sacerdócio, embora abundante, contrastava com o luxo e o poder financeiro alcançado pelo sacerdócio de nações pagãs. No Egipto, por exemplo, os sacerdotes eram proprietários de terras (Gên 47:22, 26), e, por manobras astutas, por fim se tornaram os homens mais ricos e mais poderosos do Egipto. James H. Breasted, em A History of the Ancient Egyptians (História dos Antigos Egípcios, 1908, pp. 355, 356, 431, 432), registra que, durante a chamada Vigésima Dinastia, o Faraó ficou reduzido a mero títere. O sacerdócio estava de posse das terras auríferas da Núbia e da grande província do Alto Nilo. O sumo sacerdote era o mais importante funcionário do fisco do Estado, logo depois do próprio tesoureiro-chefe. Ele comandava todos os exércitos e o tesouro estava na sua mão. É representado com mais destaque nos monumentos do que o Faraó.
O sacerdócio recebia: (1) O dízimo regular. (2) O dinheiro de redenção do primogénito do género humano ou dos animais. No caso do touro, do cordeiro ou do caprídeo primogénitos, eles recebiam a carne como alimento. (Núm 18:14-19) (3) O dinheiro de redenção por homens e coisas santificadas como sagrados, e também por coisas devotadas a Jeová. (Le 27) (4) Certas porções das diversas ofertas trazidas pelo povo, bem como os pães da proposição. (Le 6:25, 26, 29; 7:6-10; Núm 18:8-14) (5) Benefícios derivados das ofertas do melhor dos primeiros frutos maduros dos cereais, do vinho e do azeite. (Êx 23:19; Le 2:14-16; 22:10 [“estranho”, neste último texto, refere-se a alguém que não era sacerdote]; De 14:22-27; 26:1-10) Exceto por certas porções específicas que só os sacerdotes podiam comer (Le 6:29), seus filhos e suas filhas, e, em alguns casos, os da casa do sacerdote — até mesmo escravos — podiam legitimamente participar. (Le 10:14; 22:10-13) (6) Sem dúvida, uma participação no dízimo do terceiro ano para levitas e para os pobres. (De 14:28, 29; 26:12) (7) A presa de guerra. — Núm 31:26-30.
Vestimenta. No desempenho das suas funções oficiais, os sacerdotes serviam descalços, em harmonia com o fato de que o santuário era solo sagrado. (Veja Êx 3:5.) Nas instruções para a fabricação das vestes especiais para os sacerdotes não se mencionam sandálias. (Êx 28:1-43) Eles usavam calções de linho, que iam desde os quadris até às coxas, por questão de decoro, “para cobrir a carne nua . . . a fim de que não incorram em erro e certamente morram”. (Êx 28:42, 43) Sobre este, usavam uma veste comprida de linho fino, amarrada ao corpo por uma faixa de linho. Sua cobertura para a cabeça era ‘enrolada’ sobre eles. (Le 8:13; Êx 28:40; 39:27-29) Esta cobertura para a cabeça parece ter sido um pouco diferente do turbante do sumo sacerdote, que talvez fosse costurado num estilo enrolado e colocado assim na cabeça do sumo sacerdote. (Le 8:9) Parece que foi em tempos posteriores que os subsacerdotes ocasionalmente usavam éfodes de linho, embora estes não fossem ricamente bordados como o éfode do sumo sacerdote. — Veja 1Sa 2:18.
Regulamentos e funções. Exigia-se que os sacerdotes mantivessem asseio pessoal e elevadas normas de moral. Ao entrarem na tenda de reunião e antes de apresentarem uma oferta no altar, tinham de lavar as mãos e os pés na bacia no pátio, ‘para que não morressem’. (Êx 30:17-21; 40:30-32) Ordenou-se-lhes, com um aviso similar, não tomar vinho ou bebida inebriante ao servirem no santuário. (Le 10:8-11) Não podiam aviltar-se por tocar num cadáver ou por prantear os mortos; isto os tornaria temporariamente impuros para o serviço. Os subsacerdotes (mas não o sumo sacerdote) podiam fazer isso, porém, para um parente muito achegado: mãe, pai, filho, filha, irmão, ou irmã virgem que lhe fosse achegada (evidentemente, morando com ele ou perto dele); também a esposa possivelmente estava incluída nos achegados a ele. (Le 21:1-4) O sacerdote que se tornasse impuro por motivo de lepra, de um fluxo, ou de um cadáver ou outra coisa impura, não podia comer das coisas sagradas nem realizar serviço no santuário até ser purificado, senão tinha de morrer. — Le 22:1-9.
Ordenou-se aos sacerdotes não rapar a cabeça ou aparar a extremidade da barba, nem fazer incisões em si mesmos, prática comum entre os sacerdotes pagãos. (Le 21:5, 6; 19:28; 1Rs 18:28) Ao passo que o sumo sacerdote só podia casar-se com uma virgem, os subsacerdotes podiam casar-se com uma viúva, mas não com uma divorciada ou uma prostituta. (Le 21:7, 8; compare isso com Le 21:10, 13, 14.) Evidentemente, todos os membros da família do sumo sacerdote deviam manter a elevada norma de moral e a dignidade atribuída ao cargo do sacerdote. Assim, a filha de sacerdote que se tornasse prostituta devia ser morta, sendo depois queimada como algo detestável para Deus. — Le 21:9.
Quando os sacerdotes estavam de serviço no santuário, seus deveres incluíam o abate dos sacrifícios trazidos pelo povo, aspergir o sangue sobre o altar, retalhar os sacrifícios, manter aceso o fogo no altar, cozinhar a carne e aceitar todas as outras ofertas, tais como as ofertas de cereais. Deviam cuidar dos assuntos relacionados com impurezas contraídas por pessoas, bem como os votos especiais delas, e assim por diante. (Le caps. 1-7; 12:6; caps. 13-15; Núm 6:1-21; Lu 2:22-24) Cuidavam das ofertas queimadas da manhã e da noitinha, e de todos os outros sacrifícios oferecidos regularmente no santuário, exceto aqueles que cabiam ao sumo sacerdote ofertar; queimavam incenso no altar de ouro. (Êx 29:38-42; Núm 28:1-10; 2Cr 13:10, 11) Aparavam as mechas das lâmpadas e mantinham estas supridas de óleo (Êx 27:20, 21) e cuidavam do óleo sagrado e do incenso. (Núm 4:16) Abençoavam o povo nas assembléias solenes na maneira delineada em Números 6:22-27. Mas nenhum outro sacerdote podia estar no santuário quando o sumo sacerdote entrava no Santíssimo para fazer expiação. — Le 16:17.
Os sacerdotes eram primariamente os privilegiados em explicar a lei de Deus, e eles desempenhavam um importante papel no judiciário de Israel. Nas cidades concedidas aos sacerdotes, eles estavam disponíveis para ajudar os juízes, e também serviam junto com os juízes em casos extraordinariamente difíceis, além da capacidade de decisão dos tribunais locais. (De 17:8, 9) Exigia-se que estivessem presentes com os anciãos da cidade nos casos de assassinato não solucionado, a fim de assegurar que se seguisse o procedimento correto para remover da cidade a culpa de sangue. (De 21:1, 2, 5) Quando um marido ciumento acusava a esposa de adultério secreto, ela tinha de ser levada ao santuário, onde o sacerdote realizava a cerimônia prescrita, na qual se apelava para o conhecimento de Jeová sobre a verdade da inocência ou da culpa da mulher, em busca do Seu julgamento direto. (Núm 5:11-31) Em todos os casos, o julgamento feito pelos sacerdotes ou pelos juízes designados tinha de ser respeitado; o desrespeito deliberado ou a desobediência incorria na pena de morte. — Núm 15:30; De 17:10-13.
Os sacerdotes eram instrutores da Lei para o povo, lendo-a e explicando-a aos que vinham ao santuário para adoração. Também, quando não estavam em serviço designado, tinham ampla oportunidade de dar tal ensino, quer na área do santuário, quer em outras partes do país. (De 33:10; 2Cr 15:3; 17:7-9; Mal 2:7) Ao retornar de Babilônia a Jerusalém, Esdras, o sacerdote, ajudado por outros sacerdotes, junto com os levitas, reuniu o povo e gastou horas lendo e explicando a Lei para eles. — Ne 8:1-15.
A administração sacerdotal serviu para salvaguardar a nação em pureza religiosa, bem como em saúde física. O sacerdote devia julgar entre o puro e o impuro em caso de lepra dum homem, duma vestimenta ou duma casa. Ele cuidava de que se cumprissem os regulamentos legais de quarentena. Oficiava também na purificação daqueles que tinham sido aviltados por um cadáver ou que eram impuros por causa dum fluxo doentio, e assim por diante. — Le 13-15.
Parece que, todo sábado, os sacerdotes tinham o privilégio de trocar o pão da proposição. Era também no sábado que a turma sacerdotal daquela semana completava o seu serviço e a nova turma começava a servir para a semana seguinte. Estas e outras tarefas necessárias eram realizadas pelos sacerdotes sem que isso constituísse uma violação do sábado. — Mt 12:2-5; compare isso com 1Sa 21:6; 2Rs 11:5-7; 2Cr 23:8.
Lealdade. Quando as dez tribos se separaram do reino sob Roboão e estabeleceram o reino setentrional sob Jeroboão, a tribo de Levi permaneceu leal e se apegou ao reino de duas tribos, de Judá e Benjamim. Jeroboão designou homens que não eram levitas para serem sacerdotes a serviço da adoração dos bezerros de ouro, e ele expulsou os sacerdotes de Jeová, os filhos de Arão. (1Rs 12:31, 32; 13:33; 2Cr 11:14; 13:9) Mais tarde, em Judá, embora muitos sacerdotes se tornassem infiéis a Deus, o sacerdócio às vezes exercia forte influência para manter Israel fiel a Jeová. (2Cr 23:1, 16; 24:2, 16; 26:17-20; 34:14, 15; Za 3:1; 6:11) Por volta da época do ministério de Jesus e dos apóstolos, o sumo sacerdócio se tinha tornado muito corrupto, mas havia muitos sacerdotes de bom coração para com Jeová, conforme se evidenciava em que, pouco depois da morte de Jesus, “uma grande multidão de sacerdotes começou a ser obediente à fé”. — At 6:7.
Pr. Ubiratã Pinto